Mulher Advogada: igualdade ou o machismo perdura?

 Em Artigo, Mulher Advogada

O Brasil tem, atualmente, o melhor profissional do direito do mundo, na área de concorrência. E esse profissional é uma mulher advogada. Atualmente, as advogadas representam mais de 48% dos inscritos na OAB e a previsão é de que esse número se equipare nos próximos anos. Dentro dos cursos de direito, elas já são a maioria: 55% dos estudantes. E a pergunta que não quer calar: será que a advocacia já é igualitária?

A resposta, infelizmente, ainda é negativa. Intelectualmente, elas são tão capazes quanto seus colegas homens. Por que, então, a sub-representação e o machismo ainda são inimigos a serem vencidos?

 

Sub-representação ainda é via de regra

As mulheres são, hoje, 51,4% da população brasileira. Ainda assim, elas estão sub-representadas em grande parte das esferas públicas e privadas. Na política, a representação feminina significa cerca de 21% das cadeiras parlamentares. Só viemos a ter uma mulher na suprema corte no ano 2000, com a ministra Ellen Gracie. E a sub-representação estende-se ao órgão de classe onde, mesmo com esforços e medidas de combate à desigualdade de gênero, a representatividade feminina dentro de seus quadros é de 37% – ainda que, como inscritas, elas já sejam a maioria entre os advogados de até 40 anos de idade.  

Na iniciativa privada, o cenário não é diferente. Dentro dos escritórios de advocacia é comum que sejam admitidas mais estagiárias do que estagiários, afinal elas já são maioria dentro da sala de aula. Como advogados associados, o número chega a ser paritário. Como sócios, a imagem é outra: a maior porção é composta por homens. E a razão passa longe de ser incapacidade, mas a rotina de um escritório pode ser cruel com mulheres advogadas. Ainda existe assédio, ainda existem condutas impróprias, ainda há dúvida e depreciação.

 

Igualdade vêm sendo pleiteada e conquistada

Mas nem tudo é negativo e a igualdade é uma luta diária para as mulheres da advocacia. Como profissionais capazes e fortes, elas marcam cada vez mais o seu lugar e, além de se provarem profissionais de exímia capacidade, ainda trabalham constantemente junto aos colegas e junto à OAB para mudar esse cenário. Em 2014 o Conselho Pleno da Ordem aprovou a regra que exige um mínimo de 30% de mulheres nas chapas para eleições internas. Em 2016, quando foi celebrado o Ano da Mulher Advogada, foi criado o Plano Nacional de Valorização da Mulher Advogada, que propõe a garantia de sua participação efetiva na OAB e a proteção de suas prerrogativas.

O machismo mata, agride, assedia e desqualifica. Em um âmbito onde prezamos pela justiça e pela igualdade, ele não pode existir. A CAA/MG, mais uma vez, reafirma seu compromisso por uma advocacia mineira equânime e justa, e por respeito e igualdade para nossas advogadas em seu exercício profissional. E fortaleceremos nossa posição por onde formos passar, como na XXIII Conferência Nacional da Advocacia Brasileira, que contará com um painel dedicado à mulher advogada. Estaremos presentes e representando nossas profissionais!

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