Advogadas que são exemplos de vida e superação

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“Não precisa ser fácil, só precisa ser possível”. Esse é o lema de Gabriela Fernandes Coelho Cunha, advogada de Governador Valadares, no Leste do Estado, que aos 22 anos recebeu um golpe do destino e viu sua vida mudar completamente.

Gabriela Fernandes Coelho Cunha, advogada de Governador Valadares. Exemplo de vida e superação.

Gabriela Fernandes Coelho Cunha | Foto: Danielle Xavier

O ano era 2015. Gabriela, recém-formada em Direito, havia sido aprovada no exame da OAB antes mesmo de sua colação de grau. A jovem estava cheia de ideias, prestes a montar o próprio escritório e começar com o pé direito sua vida profissional. Tudo caminhava muito bem, até que um acidente a obrigou adiar seus planos. Depois de cair de um cavalo e fraturar quatro vértebras, a advogada recebeu a notícia que poderia ficar paraplégica.

Após uma série de exames e passagem por dois hospitais, uma equipe médica detectou que a medula de Gabriela não havia sido afetada, mas seu canal espinhal estava com 90% de comprometimento. Foram sete horas no bloco cirúrgico para descompressão e mobilização dos segmentos vertebrais. Resultado: 12 parafusos e quatro hastes na coluna, além da transfusão de duas bolsas de sangue. Apesar da gravidade do trauma, a jovem não sofreu alterações em sua sensibilidade ou função motora, e a cirurgia, mesmo arriscada, foi um sucesso.

Agora era o momento de voltar para casa e enfrentar a nova realidade. Não foi fácil: durante o período pós-operatório, a advogada ficou completamente dependente. Foram quatro meses de absoluto repouso e precisando de ajuda para as atividades mais corriqueiras. “Eu era uma pessoa muito ativa. Havia acabado de me formar, estava cheia de expectativas, não parava um minuto. Meu dia parecia que tinha 30 horas. Mudar tão radicalmente minha rotina abalou meu psicológico”, confessa Gabriela. Uma série de sentimentos antagônicos norteava sua cabeça: “os médicos diziam que era um milagre eu estar andando e eu sentia uma gratidão muito grande. Ao mesmo tempo, me revoltava e perguntava a Deus por que tudo isso aconteceu”.

Mas como é na adversidade que conhecemos o tamanho da nossa força, a jovem valadarense se descobriu uma guerreira. Ela resolveu que voltaria a ter uma vida normal, e a tristeza e revolta deram espaço para a superação. “Quando sentia muita dor na fisioterapia eu repetia para mim mesma: não precisa ser fácil, só precisa ser possível! Só precisa ser possível eu voltar a andar normalmente, a ser quem eu era antes do acidente. E, vivendo um dia após o outro, fiz tudo que estava ao meu alcance para melhorar”, lembra.

Os amigos e a família tiveram um papel fundamental para a recuperação de Gabriela: “todos sempre me colocaram pra cima. Hoje não vejo minha cicatriz como motivo de vergonha, mas como orgulho”, conta. A fé da jovem também ajudou nesse processo: “a força que eu tenho vem de Deus. Ele que fortaleceu a mim e a minha família. Sei que Deus fez muito por nós”.

Aos poucos, a vida da advogada está sendo normalizada. Gabriela voltou a trabalhar e hoje dá valor as coisas simples, como conseguir tomar um banho sozinha. A jovem, que decidiu continuar sendo a autora de sua história e seguir em frente, tornou um exemplo a ser seguido.

Sexo Forte

 “Não é do sexo feminino desistir, é do sexo feminino superar!”. Essa poderia ser mais uma frase de Gabriela, mas a autora dessa mensagem é outra advogada: a vice-presidente da subseção da OAB em Timóteo, Zaira Sueli Madureira.

Zaira Sueli Madureira, advogada que é exemplo de vida e superação

Zaira Sueli Madureira | Foto: Danielle Xavier

Descobrir um câncer desestabiliza qualquer pessoa e não foi diferente com Zaira, que foi ao médico para tratar um simples zumbido no ouvido e acabou descobrindo que estava com um tumor maligno no pescoço.

Após uma série de exames para identificar a causa daquele som intermitente, a advogada recebeu o diagnóstico de câncer na tireoide. Apesar do médico tranquilizá-la, explicando que seu caso era tratável e havia altos índices de cura, Zaira ficou profundamente abalada: “naquele momento meu mundo caiu. Só pensava que iria morrer e desamparar meus filhos”, lembra.

A operação para retirada dos carcinomas durou quase oito horas. Foram extraídos 40 nódulos, sendo que 16 eram cancerígenos. Como toda cirurgia, a tireoidectomia também envolve riscos, mas tudo ocorreu bem e advogada acabou sofrendo mesmo foi com o pós-operatório.

Assim como Gabriela, Zaira vivia um excelente momento: estava para completar 50 anos, levando uma vida saudável, com uma família feliz e realizada profissionalmente. A paralisação de suas atividades, juntamente com a recuperação difícil e dolorosa, tornou o desgaste emocional inevitável.

Foram seis meses de depressão até Zaira resolver que não iria se entregar para a tristeza: “eu já havia passado por muitas lutas e decidi que não seria aquela que iria me derrubar. Tirei o meu luto e segui em frente”, conta. A fé, que a advogada leva tatuada no braço, foi a grande aliada dessa nova fase: “a primeira coisa que fiz foi buscar a Deus, que para mim é a base de tudo”, destaca.

Hoje Zaira está bem. Continua fazendo acompanhamento médico e já retomou suas atividades, inclusive sendo empossada vice-presidente da 115ª Subseção. No mês dedicado a mulher advogada, a dirigente deixa um recado para quem duvida da força feminina: “a força para sair de qualquer situação difícil está dentro da gente. E me desculpem os homens, mas nós, mulheres, somos capazes de vencer qualquer obstáculo. Isso eu sinto todos os dias. Sei que jamais vou desistir”.

 

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